Recrutamento #DoneWrong

10 de Julho, 2017

Informática, Psicologia, Sociologia

Trabalhar nas TI é, muitas vezes, navegar num oceano de propostas de emprego ridículas, tanto em termos de forma como de potenciais regalias. Hoje mostro dois exemplos práticos do que falo. São apenas dois, mas posso garantir que tanto eu como os meus colegas e amigos já recebemos dezenas ou até mesmo centenas de emails semelhantes.

Numa situação normal este artigo seria completamente desnecessário, mas infelizmente parece que existe um grande falta de bom senso, crescente, entre os “profissionais” de RH que fazem recrutamento na área das TI.

💼 #Recruiting #Everis

Este primeiro exemplo foi o que me levou a escrever este artigo.

Hm… lembram-se daqueles emails que se recebiam há uns anos a oferecer “romenas jeitosas para casar”? Bem este email de recrutamento é quase igual. Acho melhor apagar porque isto é fraude de certeza!

Só faltam mesmo uns vírus anexados disfarçados de fotografias “picantes” – sabem como é, os olhos também comem.

E a tentativa de “flattery” digna de um engate falhado pelo MSN? O que vale é que os emails de recrutamento em 2017 dão sempre para rir.

Claro que #acrescentar #hashtags à #assinatura é sempre a melhor solução para demonstrar #profissionalismo #respeito e #credibilidade.

🏊🏼 Fazer Piscinas

E agora outro exemplo não tão “aberrante”, mas com um problema semelhante:

Eu nunca usei Tinder, e provavelmente seria bastante mau a fazê-lo, mas acredito que “fazer piscinas” funcionaria bastante melhor no Tinder do que no Linkedin…

Será que a Fyld é um restaurante hipsteró-gourmet e deveríamos mesmo era ir lá jantar amanha para “conhecer o conceito”?

[nome da recrutadora] então e o nosso cafezinho vai ser mesmo onde e quando?

Obviamente que eu estou a ridiculizar completamente a situação mas a questão que se coloca é simples: existe mais alguma reação possível a isto?

Eu tenho bastante respeito pelos profissionais de RH, mas esta tentativa de querer fazer qualquer empresa parecer jovem, moderna, dinâmica e acessível está a tomar proporções exageradas. Estes emails fazem-me lembrar esta frase:

[Company]’s latest attempt at distancing itself from its sordid past (…) the same old antiquated bullshit about team building and leadership skills repackaged as the future in corporate ingenuity. It’s all part of the “new ethics” (…) we’ve entered into a new era of new values based leadership.

Adaptando às novas gerações: agora é o momento em que me chamam de velho e dizem “temos de adaptar a comunicação às novas gerações!”. Não há qualquer mal em tornar as empresas mais jovens e/ou adaptá-las às gerações Y e X, mas mensagens como estas podem ser até interpretadas como ofensivas – eu não conheço, nem andei na escola com nenhuma das recrutadoras!

Falta de profissionalismo? Estas mensagens não apelam apenas a um público jovem, já entram na categoria “falta de profissionalismo” e, de certo modo, retiram a seriedade natural de um processo de recrutamento eficaz. Quem é que leva uma empresa a sério depois de receber emails destes? Ninguém.

Se um destes millennials for contratado é assim que deverá lidar com os clientes da consultora? Com #hashtags e emojis? 😉

Fora de contexto: acredito que este tipo de mensagens até possa atrair alguns membros das gerações Y e X, mas certamente que não serão programadores, analistas de sistemas ou outros profissionais das TI. Talvez isto seja ideal para recrutar millennials para o Mc Donalds ou para a Telepizza? Não, um amigo meu diz que na Telepizza o recrutamento é levado a sério.

Esta é só a opinião de um profissional das TI que, por acaso, é (quase) formado em Comunicação Aplicada: Marketing, Publicidade e Relações Públicas – deve perceber uma ou duas coisas sobre adequação de mensagens. #peace #YOLO.