Servidores: Alojamento Não Morreu, Evoluiu

24 de Setembro, 2015

Programação, Servidores

Com a explosão da “Cloud” e todas as tendências associadas, muitas vezes oiço dizer, “alojamento partilhado? isso já morreu!”. Mas será mesmo assim?

O alojamento partilhado foi criado para responder principalmente às seguintes necessidades:

  1. Objectivo: Alojar pequenos e médios sites de empresas que não têm recursos para gerir um servidor autonomamente e querem estar online;
  2. Autonomia do Cliente: Os serviços de alojamento partilhado disponibilizam um painel de controlo, simples de utilizar. Este painel permite ao cliente adicionar contas de email, mudar quotas, gerir ficheiros no servidor etc;
  3. Segurança e Disponibilidade: Como o servidor físico é gerido por uma empresa especializada o cliente não tem de se preocupar com a manutenção do servidor (actualizações, definições etc).

Para fornecer este serviço simples de utilizar (qualquer pessoa com conhecimentos de informática na óptica do utilizador é capaz de realizar as tarefas mais comuns) teve de se assumir o seguinte: Apenas é permitido executar algumas linguagens como PHP e Ruby, no servidor, durante curtos períodos de tempo. Não será possível modificar os ficheiros do sistema, instalar software etc.

Assim, dizer que o alojamento partilhado “morreu” é o mesmo que dizer que as canetas desapareceram desde que temos teclados. Isto é simplesmente ignorância / desconhecimento tecnológico puro.

Vamos Comprar um VPS?

vps31Com o surgimento de tecnologias “Cloud” mais complexas muitos convenceram-se que o alojamento partilhado deve ser substituído por VPS (Virtual Private Servers) baratos. Será isto verdade? Não.

Hoje temos acesso a servidores virtuais VPS a custos muito apetecíveis onde podemos instalar o software que quisermos sem qualquer tipo de restrição mas isto levanta um problema: Não suprime as necessidades que levaram à origem do alojamento partilhado.

O VPS pode ser uma boa solução para um técnico mas do ponto de vista do cliente final é péssimo. Num alojamento partilhado o cliente poderá criar facilmente contas de email, adicionar domínios, alterar palavras-passe etc e num VPS? Num VPS terá sempre de chamar o técnico que irá demorar mais tempo a executar todas estas tarefas.

Este problema até podia ser resolvido, ao utilizar o mesmo software que se usa em ambientes partilhados, no entanto isto tirava a flexibilidade do VPS (criando restrições) e teria custos altíssimos, que normalmente são distribuídos por centenas de clientes.

O maior problema dos VPS é mesmo a segurança. Grande parte dos “técnicos” que utilizam estas soluções são programadores Web, full-stack, com poucos conhecimentos de gestão de servidores. Acabam por nunca corrigir enormes falhas de segurança derivadas das opções padrão. Para piorar isto, muitos deles, contratados por objectivos, não voltam a mexer no VPS e o software torna-se obsoleto…

Como o VPS não tem suporte (em termos de sistema operativo e software) estes sistemas para além de se tornarem obsoletos podem mesmo deixar de funcionar. E depois o que acontece? O cliente fica sem e-mail, site etc? Pois…

No caso de um serviço de alojamento partilhado todas estas funções de suporte, que garantem segurança e a disponibilidade, estão incluídas nos serviços tirando o “peso” do cliente.

tl;dr: Se estivermos a falar de uma empresa pequena ou média, sem necessidades especiais, o maior erro é adquirir um VPS  — só vai trazer custos e dores de cabeça. No caso de uma empresa grande, que necessite de software específico instalado no servidor, o VPS é a solução ideal, no entanto serão necessários técnicos especializados continuamente contratados para garantir a devida operação.

O Futuro do Alojamento Partilhado

Um serviço de alojamento partilhado pode ser considerado como cloud já que partilha características de um serviço destes, ou seja: Aprovisionamento sem esforço, escalabilidade e visão global do sistema.

O alojamento partilhado foi na verdade o serviço que mais beneficiou da “era Cloud”. Está a evoluir, até já o chamamos de “Cloud Hosting”. Os seus objectivos continuam a ser os mesmos e a única coisa que mudou foi a forma como o serviço é disponibilizado.

Hoje, estes serviços, começam a ser on-demmand (onde o cliente escolhe exactamente os recursos que necessita etc) ao invés de pacotes standartizados.

Novas tecnologias também surgiram, um bom exemplo é o CloudLinux. Esta é uma distribuição de Linux, desenvolvida especificamente para garantir serviços de alojamento partilhado mais estáveis, permite limitar recursos como CPU, RAM e I/O para cada cliente. Ao limitá-los evitamos que por exemplo alguns clientes degradam o serviço de outros.

Conclusão

O alojamento partilhado (ou alojamento cloud) não morreu e afirmar isso demonstra um nível de ignorância considerável. Estes serviços evoluíram e continuam a existir pois respondem directamente às necessidades dos clientes finais, as típicas empresas, que querem estar online de forma barata, segura, rápida e ter alguma autonomia.

Uma prova do crescimento dos alojamentos partilhados na “era Cloud” é que cerca de metade dos sites na Internet são suportados por painéis de controlo como cPanel, Plesk ou outras alternativas.

NOTA: Obviamente que Cloud significa bem mais do que um simples servidor a alojar uns quantos sites para diversos clientes mas neste artigo o objectivo não é falar disso. Aqui é suposto sensibilizar certas pessoas desinformadas e evitar problemas com serviços VPS que em certos casos são um erro.