Transformacionista ou Progressista

12 de Agosto, 2015 | Poder, Política, Pragmático, Sociologia

No cabeçalho deste blog escrevi a palavra “transformacionista” mas o que significa? Não existe nenhuma definição no dicionário de Português, Francês ou até Inglês, no entanto é encontrada sobre esta forma, ou semelhante, em diversas publicações científicas.

No dicionário encontramos “transformismo” como:

Teoria biológica que, por oposição ao fixismo, afirma que as espécies vivas não são imutáveis, mas suscetíveis de transformação, e apareceram por evolução de formas mais simples.

Existe também diversa investigação sobre os processos de globalização que se referem aos transformacionistas com fundadores de uma escola que defende a globalização como:

  • A origem das rápidas mudanças sociais, políticas e económicas que estão a redefinir as sociedades contemporâneas (segundo Castells, Rosenau, Scholte e Giddens);
  • Processos complexos sem precedentes históricos que levam a um novo mundo no qual já existe uma clara distinção entre fronteiras;
  • Algo inevitável como uma força da natureza que independentemente de ser boa ou má acontece.

Ambas as definições têm uma coisa em comum: A transformação é inevitável e regida por processos complexos que originam novos sistemas.

Esta é a definição mais genérica que posso dar à palavra e a que quero dar a entender cada vez que a escrevo… Mas não seria isto um sinónimo ou quase progressismo (político)? Segundo o dicionário:

1. que professa ideias políticas e sociais avançadas
2. que é partidário do progresso
3. que segue o progressismo

Na verdade são ideologias semelhantes com alguns pontos em comum, mas existem diferenças importantes. Dizer que seria progressista iria levar os leitores a assumir que eu a) tinha uma postura radicalista a favor ou contra o imperialismo ou b) defendia um qualquer socialismo duvidoso muito próximo do comunismo.

A primeira porque no início do séc XX, no congresso norte-americano, os progressistas estavam bastante divididos em relação ao imperialismo. Alguns pensavam que deveria existir imperialismo da nação (público) ou privado sobre a forma de grandes empresas, outros opunham-se.

No segundo caso, a relação era feita devido a uma celebre frase de Marx:

O capitalismo, na sua busca de lucros mais altos e novos mercados, inevitavelmente irá lançar as sementes para a sua própria destruição. Será substituído pelo socialismo e pelo comunismo.

Como não sou, nem pretendo passar a imagem de, imperialista ou comunista decidi recorrer a esta adaptação da palavra transformacionista. Pessoalmente considero que o mais importante não é defender uma ideologia política ou um sistema, mas sim perceber que esse sistema serve um conjunto determinado de necessidades que irão certamente mudar ao longo do tempo. Devemo-nos consequentemente adaptar alterando os sistemas implementados.

Os Cépticos

Tal como eu, já outras pessoas tentaram atribuir um significado a esta palavra. Cito o escritor Brasileiro Augusto de Franco:

Chamamos de transformacionismo à ideologia perversa segundo a qual os seres humanos vêm com defeitos que devem ser consertados por alguma instituição hierárquica. Essas instituições seriam, por um lado, espécies de reformatórios para educar as pessoas, quer dizer, ensiná-las, adestrá-las, domá-las, ou, por outro, ambientes para ensejar o seu desenvolvimento interior, colocando-as no caminho da sua evolução mental ou espiritual.

Como em qualquer outro caso, o que tenho a dizer é que o transformacionismo é perverso se o deixarmos ser e isto transforma Augusto de Franco num fundamentalista político. Claro que esta ideologia pode ser utilizada para fins políticos capitalistas corruptos nas mãos de pequenos grupos, no entanto não é isso que defendo.

Defendo uma sociedade capaz de, em conjunto, chegar a conclusões relevantes para orientar o seu próprio futuro com vista ao melhoramento gradual das condições de vida para todos, como anunciado pelos fundamentos do socialismo (Saint-Simon) — Isto sim é ser transformacionista.

Assim a ideologia não é um perversão mas como qualquer outra algo com diversos potenciais que terão de ser de ser materializados por nós e onde devemos tentar evitar a cedência ao egoísmo.

Franco escreveu também “esta ideologia é desconstituída com a aceitação de que devemos ser o que somos e não o que não somos.”, mas a isto só tenho um comentário: Se nos limitarmos a ser meros observadores sem expectativas é impossível qualquer tipo de progresso social ou científico o que leva a uma sociedade presa em ideologias passadas serventes dos sistemas que só beneficiam alguns.

Como seres humanos devemos, em primeiro lugar, tentar melhorar-nos a nós próprios e de seguida o mundo em redor, para isto é necessário perceber onde estamos errados e onde estão os desafios e criar mudanças positivas que levam ao progresso.

O Novo Homem

O transformacionista é assim aquele que entende o lugar e o tempo das ideologias e que aborda o mundo adaptando-as às novas realidades / desafios de forma a criar soluções pragmáticas que beneficiem todos os envolvidos. Defende que o tecido social é um sistema complexo que resulta da interacção de diversos factores mutáveis, de análise complexa, que definem a sociedade.

Entende também que o fundamentalismo / radicalismo não apresenta qualquer benefício social, leva sim à implementação de ideias desfasadas que não resolvem os problemas reais.

Todas as ideologias têm aspectos positivos e ao fundarmos uma sociedade equilibrada em torno dos aspectos positivos de diversas ideologias estamos a evoluir e garantir melhores condições para todos — acima de tudo é necessário diálogo aberto que leva ao bom senso e ao equilíbrio.