Teorias da Comunicação: Resumo Rápido

6 de Outubro, 2015

CA @ ULusófona, Comunicação, Media, Psicologia, Sociologia

Hoje escrevo um resumo sobre as mais importantes teorias / modelos de comunicação. Estas são estudos realizados por diversas escolas, ao longo do tempo, que procuram entender e explicar o impacto dos mass-media na sociedade e como as mensagens por eles transmitidas são recebidas pelo público em geral.

Teoria Hipodérmica: Foca-se no impacto dos mass-media na sociedade. Uma mensagem afecta todos os elementos de um público da mesma forma, não existe espaço para efeitos sociais / psicológicos. Todo o estímulo causado por uma mensagem tem resposta generalizada, semelhante, sobre a forma de um comportamento. Não existe resistência à mensagem, o público é passivo.

Modelo de Lasswell: Baseado na teoria hipodérmica, supera-a. O público é um conjunto de grupos de pessoas com características diferentes: classes sociais, faixas etárias, sexo e poder económico. A comunicação é vista como uma ferramenta de manipulação que gera estímulos aos quais o público reage. Os seus efeitos dizem respeito às pessoas individualmente e são semelhantes dentro de cada grupo referido.

Teoria da Informação: Estudo físico da possibilidade e mecanismos de transmissão de sinais. Quantificação da informação a nível de sinal excluindo a semântica. A quantidade de informação a transmitir é inversamente proporcional à probabilidade de aparecimento de um sinal (entropia). Estuda a possibilidade de optimizar a transmissão de mensagens através de códigos. Componentes de um modelo de comunicação: emissor, receptor, canal, ruído, código e mensagem.

Teoria Empirico-Experimental: Baseada em aspectos psicológicos, a mensagem não é assimilada de imediato pelo indivíduo, depende de aspectos psicológicos próprios. Defende a persuasão e que o indivíduo tende a ter mais interesse por informação inserida no seu contexto. Estímulo > Factores Psicológicos > Resposta. Para que a persuasão funcione é necessário haver uma pré-disposição ao conteúdo da mensagem (gostos, cultura etc). Os factores psicológicos filtram a informação proveniente dos media. A comunicação pode ter efeitos consideráveis desde que adaptada ao receptor.

Teoria dos Efeitos Limitados: Âmbito sociológico e afirma que os media têm um impacto limitado na sociedade por serem um instrumento de persuasão. As dinâmicas sociais ditam a capacidade de influência e os media só por si não são a causa dos efeitos na audiências. Os processos de comunicação são complexos e não existe uma formula única para todas as situações.

Teoria Funcionalista dos Media: Compreender as funções dos mass-media na sociedade tendo em conta o seu equilíbrio. Analisa a possibilidade de equilíbrio e estabilidade dos sistemas sociais concluindo que esta depende das relações funcionais que os indivíduos têm entre si. Com a evolução da teoria passamos do impacto dos mass-media nas pessoas a, o que as pessoas “fazem” com os mass-media:

Hipótese dos “Usos e Gratificações”: Os media satisfazem necessidades sentidas pelos indivíduos: cognitivas, afectivas, integração social, integração de personalidade (segurança, estabilidade) e evasão (abrandamento de tensões que levam a conflitos). Esta hipótese, estando certa, implica o deslocamento da origem dos efeitos produzidos do conteúdo da mensagem para o contexto comunicativo e social.

Teoria da Recepção: Os processos de recepção (ao contrario dos de produção) não podem ser controlados. O receptor tem um papel determinante na produção de sentido, este resulta da fusão dos horizontes / expectativas do autor e do receptor. Existe um recepção activa devido à história e redes sociais do receptor.

Teoria Crítica: Desenvolvida à luz das das teorias marxistas, investiga a produção mediática como um produto da era capitalista. A informação contida em obras como filmes e músicas (temas, símbolos e formatos) são obtidos a partir de mecanismos de repetição e produção em massa. Isto torna a arte padronizada e adequada para produção e consumo em larga escala. Assim o aspecto artístico perde-se e a arte transforma-se num produto industrial orientado ao lucro a que chamamos indústria cultural. O indivíduo consome os produtos de media passivamente. O esforço de refletir e pensar sobre a obra é dispensado: a obra “pensa” pelo indivíduo. Isto transforma-a também numa ferramenta de influência e manipulação de massas.

Importante

Para além das teorias apresentadas existem outras, mais recentes e bastante importantes, como a teoria do agendamento, gatekeeping e newsmaking que serão abordadas noutro artigo semelhante.

Relembro que este artigo é um resumo bastante condensado sobre as teorias. Investigação mais profunda deverá ser feita por quem as quiser compreender totalmente e tentar perceber o impacto da sua utilização ao longo da história.

Agradecimento: Ao Prof. Dr. Augusto Deodato Guerreiro que me chamou a atenção para a importância destes modelos. Mais informação poderá ser consultada no seu livro “História Breve dos Meios de Comunicação: da Imanência Pensante à Sociedade em Rede”.